[A chamada zona de conforto condiciona imenso a nossa acção: ao invés de nos lançarmos no desconhecido, que não sabemos se irá correr bem, optamos por ficar no nosso cantinho a pensar "para mal nunca pior e, pelo menos, isto já sei como é". O problema é que não sair da nossa zona de conforto coloca-nos permanentemente na contingência do mesmo. Do hábito. Da redução da capacidade de arriscar e do crescimento pessoal. Estes factos geram falta de motivação e, sem esta, não conseguimos evoluir. Estagnamos. Perdemos confiança em nós. E até nos outros!
Este é também o primeiro passo para começarmos a fazer coisas que não nos apetece. E, desta forma, começarmos a agir contra nós próprios. Contra os nossos interesses. E o pior é que sabemos que o estamos a fazer, mas sabotamo-nos e ficamos no conforto do casulo. Continuamos a assumir tarefas, funções e lugares na vida profissional e pessoal que há muito deixaram de fazer sentido. Dizemos não, quando queríamos dizer sim. Dizemos sim, quando o nosso interior implora que digamos "não"!
E de repente a vida passou. E temos 30, 35, 40, 45, 50, 60 anos. E descobrimos que não fizemos nada por nós! Porque ficámos agarrados ao consolo (tantas vezes fictício) da zona de conforto. Não nos lembramos do nosso nascimento. Mas essa experiência está impressa nas nossas células. E foi, de facto, a nossa primeira grande experiência de saída da nossa zona de conforto. Essa marca estará em nós para sempre e é determinante. Contudo, não estamos condenados: como refere Jean-Paul Sartre "o importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós". Ou seja, está em nós a capacidade de dar a volta. Mas estamos muito pouco despertos para agir nesse sentido. Até porque, quanto mais tentamos remar contra tudo o que nos incutiram ao longo da vida, mais estamos a entrar no desconhecido, a sair da zona de conforto. Temos liberdade para o fazer mas isso assusta-nos.
Vamos então tentar perceber o que podemos fazer para ir saindo da nossa zona de conforto. Pode começar por coisas tão banais como optar por um trajecto diferente na ida para o emprego; tomar um café num local não habitual; vestir o bikini que acha que a faz gordinha; ou dizer a um desconhecido: posso sentar-me na sua mesa para tomar um café? Atreva-se! Não se esconda do mundo. Ele está cá para si.
E tenha coragem de cometer erros. Vai ver que é bom! Comece por situações que, a causarem erros, sejam pouco importantes. Se errar, óptimo! Está a aprender. Se nunca enfrentar as suas limitações, se nunca sair da sua zona de conforto, nunca vai saber se teria sido capaz de...! Já imaginou chegar lá à frente e pensar:"Se eu não tivesse tido receio a minha vida teria sido diferente". Sabe que a maioria dos nossos medos não se concretiza? Ao invés de pensar, por exemplo, que pode perder o emprego, pense antes que, se isso se concretizar, pode originar a grande oportunidade da sua vida.
Façamos então um ultimo exercício: defina as duas metas que pretende alcançar nos próximos seis meses. Escreva-as no papel. Assim, já estará a começar a materializá-las. Não se esqueça que têm que implicar a sua saída da zona de conforto. E trabalhe para ultrapassar todos os obstáculos que lhe vão surgir. Não tenha medo! Eles apenas significam que está a começar a conseguir sair do casulo. E isso é bom. Agarre-se com unhas e dentes a esta tarefa! Daqui a seis meses diga-nos como correu!]
By Teresa Marta
in Revista "Saber Viver"; Número 115