domingo, 5 de maio de 2013

O pior já passou. Do que resta o tempo encarregar-se-á de atenuar, porque acredito que o tempo não cura nada, apenas torna a dor e a tristeza mais doces.

Eu já tinha decidido que queria ser cremada e agora ainda me faz mais sentido. Assisti pela primeira vez a uma cremação e é uma cerimónia muito mais bonita e leve. No final do dia, ao pôr do sol, fomos deitar as cinzas ao mar e fizemos a nossa última despedida. Foi muito emotivo mas, sem dúvida, muito menos doloroso e muito mais leve do que as cerimónias tradicionais, cheias de gente.

Quando eu morrer plantem uma árvore sobre as minhas cinzas e, nos dias de sol, descansem e relaxem sobre a sua sombra. Quando eu morrer não fiquem tristes, tenham em mente que tive uma vida maravilhosa, que aproveitei todos os momentos ao máximo e que aprendi e evolui o suficiente para o universo achar que estava pronta para seguir em frente e passar à próxima etapa. Quando eu morrer festejem a vida que tive e não chorem a minha morte.

"Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa
E eu quero por força ir de burro!"

Mário de Sá-Carneiro

2 comentários:

anf disse...

Um beijinho,
e um abraço apertado.

teardrop disse...

Revejo-me em muito do que escreveste. Já pedi o mesmo a quem me é próximo, porque nunca sabemos se amanhã estamos cá!