Fui um bebé gordinho. Só para terem uma ideia nunca pude comer papas e afins, só sopas e fruta. Por volta dos 5/6 anos emagreci, mas a pediatra avisou a minha mãe que eu teria tendência para engordar, sobretudo quando fosse adulta.
Não foi preciso tanto, quando me veio a mestruação engordei logo. E foi a partir daí, tinha na altura 12 anos, que comecei a ter mais cuidado com a alimentação. Aos 15 anos tomei a decisão de ser vegetariana, não por uma questão de peso mas por uma questão de consciência e por adorar animais, contudo nunca o fui a 100%. Comia carne e peixe quando ia a casa de familiares e amigos ou quando ia a um restaurante que não tinha opções vegetarianas, nunca gostei que os outros se incomodassem comigo quando me convidavam para partilhar refeições. Em minha casa nunca mais entrou carne ou peixe (a minha mãe tornou-se mesmo vegana), cheguei a passar meses sem comer produtos animais e nunca senti falta, aliás nunca gostei muito de carne. Este tipo de alimentação, recheado de frutas e legumes, sempre foi o suficiente para conseguir manter o meu peso, 52-53Kg. Comia muito pouco pão, só bebia leite de soja, fazia muitos jantares só de sopas, mas sempre comi chocolates e bolachas.
Até que se aproximaram os 30 anos. Uiiiii, nunca senti tanta diferença no meu corpo. De repente comecei a ganhar volume, sobretudo nas ancas e barriga, comecei a ganhar peso mesmo continuando a minha alimentação de sempre, as roupas ficaram mais justas... Enfim, o meu metabolismo tornou-se muito mais lento.
Comecei então a interressar-me pelo crudivorismo. Li muito sobre o assunto. Aprendi a gostar de sumos verdes. Fiz muitas refeições só de saladas. Fiz alguns detoxes. Mas simplesmente não funcionou comigo. Por vários motivos:
- de manhã (sobretudo no Inverno!) não conseguia comer algo frio;
- sentia necessidade de refeições mais complexas;
- por mais quantidade de salada que comesse passado pouco tempo já tinha fome novamente (a maioria das frutas e legumes têm um elevado índice glicémico o que não me deixa ficar satisfeita por muito tempo);
- sempre tive dúvidas se comer muita fruta é realmente benéfico (ainda tenho essas dúvidas, depois de muito pesquisar!), ingerir tanta fructose ajuda-me a abrir o apetite em vez de me saciar;
- adoro cozinhar e experimentar coisas novas, o crudivorismo retirava-me um pouco isso, sobretudo ir a um bom restaurante ou provar outras gastronomias;
- a nossa vida social passa muito pela mesa, o crudivorismo também me retirava um pouco isso;
- comer é para mim um prazer e acho a vida demasiado curta para deixar de comer certas sobremesas ou certos petiscos. Há certos pratos que vale a pena viver só para os provar.
Acredito que funcione com muitas pessoas, mas comigo não. Do crudivorismo ficaram muitas receitas de saladas e batidos que ainda hoje faço.
Depois vim viver com o L. O L. não é vegetariano e, juntos, passámos a reajustar as nossas refeições. Cá em casa 70% das refeições são vegetarianas, 30% têm carne ou peixe, ou outros produtos animais. O L. não consegue comer só sopa à refeição, eu, por arrasto, acabo por comer sempre mais qualquer coisa para além da sopa. O L. adora enchidos, eu só gosto de chouriço. De volta e meia lá está um chouriço assado, acompanhado por pão caseiro e um bom vinho, em cima da mesa... Conclusão: mais 6Kg em cima do lombo. Nunca estive tão pesada!
Tomei então a decisão de experimentar algo completamente diferente. Vou fazer a dieta que está agora na moda: a dieta dos 31 dias. A verdade é que nunca segui uma dieta rigorosa em toda a minha vida, sempre me guiei apenas pelo bom senso. Depois de ler o livro, simpatizei com a Dr.ª Ágata e achei importante o facto de, também ela, já ter tido problemas de peso e de ter testado vários dietas sem êxito. Parece-me fácil de executar e, o mais importante, não vou passar fome. O único senão, o que me deixa realmente triste, é que vou passar a comer carne e peixe nos próximos 31 dias. Mas será sem dúvida uma experiência de vida, como tantas outras. Pelo menos, depois de a fazer, já posso ter uma opinião mais concreta e dizer se realmente foi uma boa escolha ou não. Tenho amigas que já a fizeram com bastante sucesso e, por isso, estou bastante optimista.
Segunda-feira será o meu dia 1. Vamos lá a isso!