
"E preciso estar alerta e ser sincero para descobrir, por exemplo, se a sua auto estima está dependente das coisas que possui. Há determinadas coisas que lhe induzem um ligeiro sentimento de importância ou superioridade? A falta delas fá-lo sentir-se inferior às pessoas que têm mais coisas que você? Menciona por acaso coisas que possui ou exibe-as para que outra pessoa lhe dê mais valor, aumentando assim a sua auto-estima? Sente-se magoado ou zangado, e de alguma forma diminuído na sua auto-estima, quando constata que outra pessoa possui mais coisas do que você ou quando perde um bem de valor?"
Eckhart Tolle in "Um Novo Mundo"
Comecei a ler este livro em Agosto, mas de repente a minha vida deu uma volta de 180º e só agora voltei a pegar-lhe. Ontem dei por mim a reflectir sobre estas perguntas e sim, a verdade é que eu sou assim: muito pegada às minhas coisas e com uma preocupação constante com o que me pertence. Odeio estragar ou perder as minhas coisas e gosto de ter coisas boas. O que dá origem a um dos maiores males dos nossos tempos: a proliferação dos objectos e o querer consumir sempre mais. Identifico-me nos objectos que possuo mas definitivamente eles não são aquilo que eu sou. Tento encontrar-me nas minhas coisas, mas nunca consigo fazê-lo inteiramente, acabando por me perder nessas mesmas coisas. Quantas vezes não perco demasiado tempo com coisas materias, quantas vezes não sofro por essas mesmas coisas materias... são apenas coisas!! É claro que devemos sempre dignificar as nossas coisas, agradecer por as possuirmos e cuidar bem delas. Mas nunca as devemos sobrevalorizar. Não podemos realmente dignificar as coisas se as utilizarmos como meios de auto-valorização.
"Como é que deixamos de nos apegar às coisas? Nem sequer tente. É impossível. O apego às coisas desaparece por si só, se deixarmos de tentar encontrar-nos nelas. Enquanto isso, basta estarmos conscientes do nosso apego às coisas. Por vezes, podemos não saber se estamos apegados a uma coisa, ou seja, que nos identificamos com ela, até a perdermos ou haver perigo de a perdermos. Se, nessa altura, ficarmos preocupados , anciosos e assim por diante, quer dizer que estamos apegados a ela."
Hoje damos demasiado valor às nossas coisas, queremos sempre mais e melhor. Eu sou assim, confesso!! Mas já tomei consciência disso o que já é bom sinal (julgo eu!).
E tu? Até que ponto te identificas nos teus objectos? Até que ponto és apegado(a) a eles?

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